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Título: Potencial terapêutico de subdoses de Ayahuasca em um modelo animal de autismo
Autor(es): Bolan, Sofia Januário
Orientador(es): Gonçalves, Cinara Ludvig
Palavras-chave: Alucinógenos - Uso terapêutico
Banisteriopsis - Uso terapêutico
Transtornos do espectro autista - Tratamento
Neurodesenvolvimento
Ansiedade
Comportamento social
Estresse oxidativo
Descrição: Dissertação de Mestrado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde para obtenção do título de mestre em Ciências da Saúde.
Resumo: O transtorno do espectro autista (TEA) é caracterizado pelo comprometimento na comunicação e interação social e a presença de comportamentos repetitivos e estereotipados. Não há tratamento medicamentoso para os sintomas centrais do TEA, sendo o suporte multidisciplinar a abordagem principal. Estudos indicam que compostos psicodélicos, que atuam na sinalização serotoninérgica, podem ter potencial terapêutico, reduzindo a ansiedade e melhorando a comunicação. O objetivo desse estudo foi investigar os efeitos da ayahuasca (AYA) em um modelo experimental de autismo induzido por ácido valproico (VPA) em ratos Wistar. Para induzir o modelo, foi administrado uma dose de 600 mg/Kg de VPA ou salina 0,9% (SAL), via intraperitoneal em ratas prenhes no 12,5º dia gestacional. Os filhotes machos gerados foram distribuídos em oito grupos experimentais, com diferentes doses de AYA (0,2 mL/Kg, 1 mL/Kg e 2 mL/Kg) ou água, administrados por gavagem a cada 72h, do 30º ao 43º dia pós-natal (DPN). Os seguintes parâmetros de neurodesenvolvimento foram analisados entre o 9º e o 15º DPN: pesagem dos animais, busca pelo ninho, abrir dos olhos e geotaxia negativa. Após a finalização do tratamento, os animais foram submetidos aos testes comportamentais (três câmaras, labirinto em cruz elevado e campo aberto) no 45º e 46º DPN. Logo após, os animais foram submetidos à eutanásia, sendo o encéfalo dissecado para isolamento do córtex posterior e o sangue coletado para avaliação de dano hepático. Foram também analisados parâmetros relacionados ao estresse oxidativo por meio da detecção de nitrito e nitrato, oxidação de diacetato de 2’7’- diclorofluoresceína, conteúdo de sulfidrilas, atividade das enzimas superóxido dismutase e catalase. Além disso, foram avaliados o fator de crescimento neural e fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Os resultados mostraram que a exposição pré-natal ao VPA causou prejuízos no neurodesenvolvimento, déficits no comportamento locomotor, exploratório e de sociabilidade, além do aumento de comportamentos semelhantes à ansiedade, dano oxidativo elevado, redução dos níveis de BDNF e ausência de alterações nos níveis séricos de transaminases. Por outro lado, o tratamento com AYA foi capaz de atenuar ou reverter esses prejuízos, promovendo melhoras nos parâmetros de ansiedade, locomoção, exploração e social, bem como redução do dano oxidativo. De modo geral, a dose mais elevada de AYA (2 mL/Kg) apresentou maior eficácia entre os grupos tratados, sugerindo um possível efeito dosedependente. Assim, os dados apontam para um potencial efeito neuroprotetor da AYA em alterações associadas ao modelo animal de autismo induzido por VPA.
Idioma: Português (Brasil)
Tipo: Dissertação
Data da publicação: 2026
URI: http://repositorio.unesc.net/handle/1/13069
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