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http://repositorio.unesc.net/handle/1/12137| Título: | Variação no ritmo cicardiano de felídeos silvestres (Carnívora, felidae) em ambientes da mata Atlântica, Santa Catarina, Brasil |
| Autor(es): | Mottin, Viviane |
| Orientador(es): | Zocche, Jairo José |
| Co-orientador: | Miranda, João M. D. |
| Palavras-chave: | Felídeo – Santa Catarina Ritmos circadianos Relação predador-presa Mesopredador Nicho (Ecologia) Interação intraguilda |
| Descrição: | Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, linha de pesquisa em Ambientes Naturais, como requisito parcial para a obtenção do título de Doutora em Ciências Ambientais. |
| Resumo: | É esperado que ao ocorrerem no mesmo ambiente, as espécies morfologicamente semelhantes compartilhem recursos, diminuindo assim os efeitos da competição. Essa partilha pode ocorrer nas diversas dimensões do nicho ecológico, como a temporal, alimentar e espacial. O presente estudo teve como objetivo analisar a variação no ritmo circadiano e na sobreposição do nicho temporal das espécies de felídeos silvestres (Carnivora: Felidae) no bioma Mata Atlântica no estado de Santa Catarina, sul do Brasil. Foram utilizados dados secundários de registros de imagens em câmeras trap das cinco espécies de felídeos ocorrentes no Estado, provenientes de 11 sítios amostrais, quatro da Floresta Ombrófila Densa (FOD) e sete da Floresta Ombrófila Mista (FOM). Ao total foram utilizados 551 registros de Leopardus guttulus (Hensel, 1872), 485 de Leopardus pardalis (Linnaeus, 1758), 474 de Puma concolor (Linnaeus, 1771), 239 de Leopardus wiedii (Schinz, 1821) e 92 de Herpailurus yagouaroundi (É. Geoffroy, 1803). Os coeficientes de sobreposição (Δ) foram obtidos pelo teste de densidade de Kernel e diferenciados com o auxílio do teste de Mardia-Watson-Wheeler. Puma concolor e L. guttulus foram classificados como catemerais, L. pardalis e L. wiedii como preferencialmente noturnos e H. yagouaroundi como diurno. Herpailurus yagouaroundi apresentou as menores sobreposições de nicho temporal e ritmo diferentes de todas as espécies analisadas (Δ < 0,47). As demais espécies possuem altos valores de sobreposição (Δ > 0,75), com ritmos circadianos diferentes, exceto L. pardalis e L. wiedii que tiveram ritmos iguais. Nas comparações como ritmo das presas principais, apenas L. guttulus não obteve alta sobreposição, além de apresentar ritmo diferente destas, enquanto que H. yagouaroundi não teve registros suficientes para esta análise. As demais espécies evidenciaram altos coeficientes de sobreposição e ritmo igual ao de sua principal presa. A análise do ritmo circadiano de L. guttulus em ambientes sem a presença das espécies maiores (P. concolor e L. pardalis) evidenciou que na ausência de L. pardalis a espécie subordinada altera seu ritmo circadiano. Quanto às diferenças no ritmo circadiano da mesma espécie entre as diferentes formações florestais, confirmou-se que L. pardalis e L. guttulus possuem ritmos circadianos diferenciados, já P. concolor e L. wiedii não alteram seus ritmos. A classificação do ritmo circadiano das espécies de felídeos no sul da Mata Atlântica seguiu o esperado, corroborando o registrado para as espécies em outras regiões de suas ocorrências. Os valores de sobreposição encontrados acompanharam o esperado, com H. yagouaroundi sendo a espécie com menos sobreposição de nicho temporal e também a única com hábitos diurnos. Já entre as outras espécies de felídeos, as altas sobreposições são reflexo da necessidade de sobrepor seus ritmos aos de suas presas, bem como de se manterem crípticos (preferência pelo período noturno) com as espécies evitando sobreporem os momentos de maior atividade uma das outras, realizando assim uma segregação temporal. A teoria do mesopredador foi confirmada para a relação entre L. pardalis e L. guttulus, com a espécie de menor porte utilizando mais o período noturno em sítios sem a presença da espécie de maior porte, demonstrando haver certo grau de segregação por parte da espécie de menor porte em relação a de maior porte. Leopardus pardalis e L. guttulus parecem ser sensíveis às mudanças do ambiente, podendo ser resultado da descontinuidade de disposição dos habitats na paisagem, da vegetação mais alterada ou ainda de diferenças climáticas entre as formações. Conclui-se que as espécies de felídeos analisadas são mais influenciadas pelo efeito bottom-up, ou seja, maior influência das presas do que pela presença das outras espécies de felídeos ou do ambiente, realizando segregações temporais que permitem sua coexistência. Por outro lado, L. guttulus parece ser mais influenciada pelo efeito top-down, ou seja, a presença de espécies maiores faz com que este modifique seus horários de atividades, possuindo o habito catemeral e generalista quanto as presas. |
| Idioma: | Português (Brasil) |
| Tipo: | Tese |
| Data da publicação: | 2023 |
| URI: | http://repositorio.unesc.net/handle/1/12137 |
| Aparece nas coleções: | Tese (PPGCA) |
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